Inteligência artificial aponta risco de desmatamento em 2026 e acende alerta localizado no Acre – portalacre.com.br

Uma projeção baseada em inteligência artificial indica que 5,5 mil quilômetros quadrados da Amazônia podem estar sob risco de desmatamento para o ano de 2026, revelando que, apesar da redução recente da derrubada registrada por sistemas oficiais, a pressão sobre a floresta segue ativa e territorialmente concentrada.

Os dados fazem parte da PrevisIA, ferramenta desenvolvida pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que utiliza modelos de aprendizado de máquina para antecipar áreas com maior probabilidade de desmatamento antes que ele aconteça.

Para 2026, a PrevisIA indicou que 1.686 km² de floresta estão sob risco muito alto ou alto de desmatamento, o que representa 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) estão sob ameaça moderada e 2.759 km² sob risco baixo ou muito baixo (50%).

Segundo a análise, o período considerado vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, e as áreas mapeadas não representam desmatamento consumado, mas sim zonas de risco elevado, onde fatores históricos, ambientais e de infraestrutura indicam maior vulnerabilidade.

A projeção aponta que Pará (2.010 km²), Mato Grosso (1.021 km²) e Amazonas (1.019 km²) concentram cerca de 72% de toda a área amazônica classificada como sob risco de desmatamento no próximo ciclo. O Pará lidera, com pouco mais de um terço do total, seguido por Amazonas e Mato Grosso, ambos com aproximadamente 18%.

O Acre no contexto

Embora o Acre não apareça entre os estados com maior área total sob risco, a análise revela sinais de alerta importantes quando o recorte é feito em escala territorial mais fina. O estado está em quarto lugar no ranking de áreas em risco com 545 km². Desse total, 34 km² são de risco muito alto, 164 km² são de risco alto, 165 km² são de risco moderado, 139 km² de risco baixo e 43 km² de risco muito baixo.

Um dos principais destaques é o fato de que o município acreano de Feijó figura entre os dez municípios da Amazônia com maior risco de desmatamento em 2026 (97 km²), segundo a projeção do Imazon. Neste caso, a projeção está associada a fatores como: histórico recente de supressão florestal; expansão de ramais e vias de acesso; pressão por uso do solo em áreas próximas a territórios protegidos; fragilidades estruturais na fiscalização ambiental.

Outro ponto que envolve diretamente o Acre é a presença de unidades de conservação entre as áreas classificadas com risco elevado, a exemplo da Reserva Extrativista Chico Mendes, um dos territórios simbólicos da política socioambiental brasileira. A inclusão dessas áreas no mapeamento da PrevisIA indica que, mesmo espaços legalmente protegidos, não estão imunes às pressões externas, sobretudo quando cercados por frentes de ocupação e atividades econômicas predatórias.

A presença de Feijó entre os municípios mais ameaçados da Amazônia, somada aos alertas em áreas protegidas, coloca o Acre em uma posição de atenção seletiva: o estado não lidera os rankings absolutos, mas concentra focos territoriais críticos que exigem respostas específicas.

Mais do que números gerais, a projeção indica que o desafio do desmatamento no Acre é localizado, porém intenso, e que políticas públicas eficazes passam necessariamente por ações territoriais integradas, combinando prevenção, fiscalização e alternativas econômicas sustentáveis.

Sobre a plataforma

A PrevisIA cruza dados de satélite, histórico de desmatamento, infraestrutura viária, proximidade de áreas protegidas, relevo e variáveis socioeconômicas. O objetivo é orientar ações preventivas, permitindo que governos e órgãos de controle atuem antes que a floresta seja derrubada.

Segundo o Imazon, em ciclos anteriores, o modelo apresentou níveis de acerto entre 68% e 73%, o que confere à ferramenta relevância como instrumento de planejamento ambiental e fiscalização direcionada.

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